quinta-feira, 17 de março de 2011

Um grande vilão dos relacionamentos: os contratos ocultos

Por Sonia Jordão

Tenho observado que um grave problema que acontece nos relacionamentos, seja entre casais ou entre sócios, se deve a alguns contratos ocultos, que estes fazem, e não conseguem cumprir. Esses contratos, se não tratados adequadamente, podem levar a separações entre os casais ou a acabarem com uma sociedade. Geralmente, depois do problema existente, fica difícil de resolver.

Mas o que é esse tal de contrato oculto? É quando uma pessoa espera do outro algo que este não pretenda cumprir no relacionamento, por nem conhecer a expectativa do outro. Quando existe uma expectativa por parte de um que não é possível ser atendida em função de crenças e objetivos diferentes do outro. Aí, quando a pessoa descobre que não terá o que espera, se decepciona com o outro e o problema está formado.

Exemplificando o que acontece: imagine um casal de namorados que tenham por hábito irem a bares todos os fins de semana. Quando decidem se casar o rapaz pensa: “minha namorada sabe que gosto de frequentar os bares, de tomar uma cervejinha. Vamos nos casar, mas continuarei com esse hábito”. A moça pensa diferente: “meu namorado gosta muito de ir a bares, mas isso é porque ele não tem a casa dele. Quando nos casarmos isso vai mudar”. Não conversam sobre o assunto e se casam. Depois de casados, provavelmente irão brigar por isso. O rapaz querendo continuar a frequentar os bares e a moça querendo ficar em casa.

Outro exemplo: dois amigos resolvem abrir um negócio. Um deles tem um tio que é proprietário de uma empresa de sucesso, onde trabalham vários parentes, por isso acha normal contratar parentes para trabalhar com ele. O outro vem de uma família na qual, quando ainda era criança, um parente lesou seu pai, levando a família a passar por sérios problemas financeiros. Essa história o marcou profundamente, porque sua mãe até adoeceu em função do problema. Entretanto ele não tem consciência de que o fato o tenha marcado tanto. Abrem a empresa e à medida que essa vai crescendo, um dos sócios começa a contratar pessoas de sua família e isso incomoda tremendamente o outro sócio. Aquilo que para um é normal, para o outro é um grave problema. Como nunca conversaram sobre a situação, o que para um é uma coisa normal, para o outro é um complicador. É difícil chegarem a um acordo, uma vez que possuem ponto de vista contrário.

Assim como nesses exemplos, existem várias situações, nas quais um pensa de forma oposta ao outro, gerando imensos problemas. E, muitas vezes, os aborrecimentos são por coisas até pequenas, mas que acontecem várias vezes. Aí, quando resolvem se separar parece que foi por algo pequeno, por uma gota d’ água. Mas o problema não estava na gota e sim no copo que já estava cheio.

Por tudo isso, a melhor receita é o diálogo, conversar sobre os problemas, mesmo que pequenos. Se quiser um relacionamento duradouro, é preciso buscar entender o ponto de vista e as expectativas do outro, além respeitar o direito do outro de pensar diferente. Também é preciso ter cuidado durante a conversa, porque comunicação é uma via de mão dupla. Não importa o que se fala, mas como o outro recebe, e cada um entende o que ouve em função de suas experiências de vida.

Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante, consultora empresarial e escritora. Autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, e dos livros de bolso “E agora, Venceslau? – Como deixar de ser um líder explosivo” e “E agora, Lívia? – Desafios da liderança”.

Sites:
http://www.soniajordao.com.br,